Ser Mãe é Maravilhoso, Mas Também é Exaustivo — E Está Tudo Bem Admitir

O cansaço materno tem sido um dos termos mais pesquisados recentemente, refletindo uma necessidade crescente de validação. Entenda



Ser mãe é maravilhoso, mas também é exaustivo — e está tudo bem admitir. A frase, repetida com frequência em relatos nas redes sociais e em rodas de conversa, resume um debate que tem ganhado espaço nas buscas online e nas discussões sobre maternidade real, saúde mental materna e autocuidado.


Durante décadas, a maternidade foi retratada sob uma perspectiva quase exclusivamente idealizada. A imagem da mãe plenamente realizada, sempre disponível e emocionalmente equilibrada, consolidou-se como padrão cultural. No entanto, especialistas apontam que essa representação não contempla a complexidade da experiência materna contemporânea.



Nos primeiros meses após o parto, a mulher enfrenta transformações hormonais significativas. Essas alterações impactam o humor, a disposição e a estabilidade emocional. Ao mesmo tempo, surgem cobranças externas e internas para que ela corresponda a expectativas consideradas ideais.


A saúde mental materna tornou-se um tema central em pesquisas e debates públicos. Quadros como ansiedade pós-parto e depressão pós-parto são mais comuns do que se imaginava anteriormente. Profissionais destacam que reconhecer sinais precoces é fundamental para evitar agravamentos.


Além das mudanças emocionais, o corpo passa por um processo intenso de recuperação. A experiência do parto, seja ele normal ou cesariana, demanda cuidados específicos. A amamentação, frequentemente romantizada, pode apresentar desafios técnicos e físicos que ampliam a sensação de exaustão.


A maternidade moderna também envolve o desafio de equilibrar carreira e filhos. O retorno ao trabalho após a licença maternidade costuma ser acompanhado por sentimentos ambíguos. Muitas mulheres relatam culpa materna ao dividir o tempo entre demandas profissionais e familiares.


A chamada dupla jornada permanece como realidade para grande parte das mães. Mesmo inseridas no mercado de trabalho, elas ainda concentram a maior parte das tarefas domésticas e dos cuidados com os filhos. Essa sobrecarga impacta diretamente o bem-estar e a qualidade de vida.


As redes sociais exercem influência significativa na construção de expectativas. Perfis que exibem rotinas organizadas e imagens esteticamente perfeitas podem reforçar padrões difíceis de alcançar. Especialistas alertam para os efeitos da comparação constante na autoestima materna.


Em contrapartida, o ambiente digital também tem servido como espaço de apoio. Comunidades virtuais dedicadas à maternidade consciente e à criação com apego oferecem troca de experiências e acolhimento. Esse movimento tem contribuído para ampliar o debate sobre o cansaço materno.


Admitir que ser mãe é exaustivo não significa diminuir o amor pelos filhos. Pelo contrário, profissionais de psicologia afirmam que a validação das próprias emoções é passo essencial para o autocuidado. Ignorar o desgaste pode resultar em esgotamento físico e mental.


O conceito de autocuidado materno vem ganhando relevância nas pesquisas recentes. Reservar momentos para descanso, lazer e acompanhamento profissional é apontado como estratégia de prevenção ao burnout materno, termo cada vez mais presente nas buscas online.


No contexto familiar, a divisão equilibrada de responsabilidades é considerada fator protetivo. A participação ativa de parceiros e rede de apoio reduz a sobrecarga e fortalece vínculos. A corresponsabilidade é defendida como medida necessária para uma maternidade mais saudável.


Especialistas também ressaltam a importância de políticas públicas que apoiem mães trabalhadoras. Ampliação de creches, flexibilização de jornadas e acesso a atendimento psicológico são medidas apontadas como essenciais para reduzir desigualdades.



Relatos de mães que compartilham suas dificuldades têm contribuído para quebrar tabus. Ao expor vulnerabilidades, essas mulheres ajudam a normalizar sentimentos antes considerados inadequados. O debate público torna-se mais plural e representativo.


A exaustão materna, quando reconhecida, pode ser administrada com estratégias adequadas. Orientação profissional, reorganização da rotina e fortalecimento da rede de apoio são caminhos frequentemente recomendados por especialistas.


O reconhecimento social da complexidade da maternidade também é apontado como avanço. Ao admitir que a experiência envolve desafios, amplia-se o espaço para políticas e práticas mais realistas e eficazes.


A transformação cultural em curso indica que falar sobre cansaço materno deixou de ser sinal de fraqueza. Ao contrário, tornou-se parte de um movimento de valorização da saúde integral da mulher.


Ser mãe é, de fato, uma experiência profunda e transformadora. Reconhecer que ela pode ser simultaneamente maravilhosa e exaustiva contribui para uma visão mais equilibrada, humana e responsável sobre a maternidade contemporânea.


Redação ©SM - Sociedade Mulher


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